@marreco.arts

MEUS DISCOS FAVORITOS DE 2018

Obs. Nesse post eu não estou listando discos lançados em 2018, mas sim os grandes materiais que me conquistaram nesse ano. Aqui tem coisa bem velha, virando velha, que já é passado, clássicos já manjado por todos e lançamentos frescos, de bandas que já dominaram seus mundos e também daquelas que merecem muito dominar.  


Black Breath - Sentencedo to Life (2011)

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Essa banda me surpreendeu desde a primeira audição com meu fone de ouvido mega potente. Se for pra ficar surdo pelo excesso de volume, eu não me arrependerei porque curti muito som bom, e esse disco esteve presente em grande parte do meu 2018.  Já tem um tempinho que eu sou devoto dos tons das bandas de rock suecas, principalmente da incrível assinatura que o pessoal do death metal da área desenvolveu, dentre eles Entombed, Dismembered, At the Gates, Disfear e Wolfbrigade encabeçam uma sonoridade que é a mais extrema das quais eu estava buscando por um bom tempo. Porém, esses caras só seguiram a escola sueca , já que são de Seattle, clássico berço de grandes bandas. 

Os Black Breath preencheram um vazio enorme que eu estava sentindo quando se diz à necessidade de ouvir algo bruto e destruidor. Esses representantes mencionados acima têm sido referência na minha busca pelo som mais porradão possível. E este é um galho do mundo do rock/metal dos mais interessantes de todos. O segredo do tom da destruição dessas bandas consta de um simples pedal de guitarra que muda tudo por onde passa: se chama HM-2, o Heavy Metal 2, da Boss

Essa família de pedais da Boss foi, e continua sendo, subestimada por guitarristas roqueiros do mundo inteiro desde quando foi iniciada sua produção, no final dos anos oitenta, ganhando fama de responsável pelos sons mais abelhudos e toscos de guitarristas metaleiro que, muitas vezes não tinham outra opção financeira para terem algo melhor, ou simplesmente tinham o tal "mau gosto" de tirar o som mais distorcido possível. Só que a situação para esse pedal é bem mais delicada, pois é muito difícil tirar um som que não seja extremo nele devido à grande sensibilidade nos knobs de regulagem que podem ser tirados. Claro que nenhum desses timbres são nota 10 (fora do metal, apenas o saudoso David Gilmour conseguiu tirar bons timbres nele, e por pouco tempo), MAS os jovens suecos descobriram como fazer uma magia única com a peça. Consistia em simplesmente colocar todos os knobs na posição de 11. Esse som foi apelidado pelo pessoal de Motoserra. Escutando da pra entender. Esse pedal merece um post só dele. E TERÁ.

E eu considero todas as músicas desse disco simplesmente incríveis. Só tem agressão sonora do melhor nível. É colocar o álbum pra tocar e deixar rolar, obrigatoriamente em alto volume. 

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Hooligans DC - Good Day | Bad Dream (2018)

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Esse EP novo dos meus conterrâneos do Hooligans DC é incrível do início ao fim. Não é porque os caras são meus amigos de todas as horas, mas é que temos um material realmente ímpar, do nível dos melhores já lançados na história das bandas do interior fluminense. Primeiramente, mostra uma banda entrosadíssima, que chegou num nível surreal, ainda mais quando agregou o meu grande amigo e companheiro de rocks Ian Neves pra tocar os baixos. Esse último rapaz estava há pelo menos 3 anos parado de tocar, e com um fogo no cú pra voltar a compor e fazer shows. Ele, assim como eu, é um "amaldiçoado" pelo tal de rock n roll. Conseguiu coordenar como um grande técnico de futebol (daqueles líderes democráticos: super coerentes e de extremo bom senso) a experiência ganhada em vários rocks passados, unida à uma banda que já poderia ser considerada madura, gerando esse lindo filhote em forma de som, com cinco músicas delicadas, sinceras e muito bem executadas. Um EP simplesmente para amar a si próprio e se amar.

Eu tive o prazer imenso em acompanhá-los em todos os processos: do início das composições, dos testes delas nos shows, da gravação e, por fim, dos lançamentos. Os meus primeiros contatos com cada uma das canções foram só de tocar o coração. Desse play, todas as musicas são excelentes, mas vale ressaltar as hits da galera, a intensa e dançante "Catch A Wave", que é uma das músicas mais tocantes do meu ano de 2018, e a progressiva "Bad Spirits", cheia de refrões e riffs pra cantar junto. Além disso, quando descobri que a instrumental Alba era uma homenagem póstuma, com o nome da amada cachorra do nosso amigo Mateus Pagalidis (DEP), tudo fez mais sentido ao ouvir o som imaginando a doguinha feliz da vida correndo solta da coleira ao lado do seu antigo dono. Saudades Mateusinho. 

Emfim, é um disco que marca uma época da galera de Cabo Frio. As saídas noturnas, os dilemas, encontros, desencontros, ganhos e perdas do cotidiano de uma cidade do tipo Springfield da vida. E eu me incluo nessa história com muito orgulho. É um dos meus discos favoritos de todos os tempos e espero que assim continue. 

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Imperial State Electric - Anywhere Loud (2018)

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Sou completamente fissurado em todos os trabalhos que possuem o toque do Nicke Anderson. O cara é um talento nato em tudo o que faz. Quando o Hellacopters parou em 2008, mesmo ano quando comecei a ouvi-los. Naquela época, as novidades sobre ele estavam escassas pra mim, até que certo dia fui presenteado com um vídeo acústico com ele tocando uma música linda chamada "I'll Let You Down" numa banda chamada Imperial State Electric, essa citada no caso. Mais um projeto ambicioso de rock 'n roll raiz encabeçado pelo mestre. Dessa vez soando mais leve, com uma pegada clássica, puxando para influencias como o Kiss, Rolling Stones, Beatles e todos os que vêm junto. O caminho resultante no ISE era possível ser imaginado, uma vez que os discos dos Hellacopters estavam cada vez mais leves, o que não os caracteriza como ruins, mas sim uma fuga do que a pauleira que a banda representava.  

Desde esse período, de 2010 pra cá, eu acompanhei todos os lançamentos do ISE com muito carinho e respeito. Eram discos com músicas excelentes, repletas de solos muito bem construídos, refrões pegajosos e harmonias mais completas do que no Hellacopters. Porém havia algo que faltava no caldeirão dos discos: a pegada AO VIVO. Ao acompanhar os raros vídeos ao vivo da galera, eu sentia o poder que aqueles sons alcançavam. Aquela gravação mais limpinha, comportada, deu lugar para um show de rock com o calor de uma banda inspirada, além de mais drives nas guitarras, intensidade nas baterias e dinâmica do nível dos Rolling Stones. Infelizmente os videos deles eram sempre deletados do Youtube, e me deixaram bem órfão daquela pressão sonora. Voltei aos bons álbuns da banda, aguardando por um lançamento ao vivo.   

Eu comentava com meus amigos curtidores de bons sons nas bebedeiras da vida sobre a banda, tentando convencê-los da coisa. Todos eles, roqueirões, respeitavam muito o material por causa da credibilidade de Nicke, que vinha de bandas relevantes como o Entombed e o Hellacopters, mas não davam a devida atenção... na verdade, os caras achavam maneiro, mas com uma pegada pop demais pros padrões deles. Eu acabei os convencendo de que era o som era grandioso mostrando os videos e comentando "eles ainda vão lançar um disco ao vivão. Tenho certeza disso". E, só em 2018 eles resolveram lançar um compilado de músicas gravadas em shows em Tóquio, Madri e Estocolmo. 

Quando o álbum apareceu nos lançamentos do meu Spotify, eu simplesmente abri o sorriso de quem saberia que iria ouvir um material especial. Separei um horário especial da noite, coloquei meu headphone fodão e degustei cada pedaço. Enfim, isso era tudo o que eu precisava pra afirmar que o Imperial State Electric é uma banda sensacional. Considero todas as músicas desse álbum maravilhosas, mas além das versões mais intensas dos rockões da banda, eu destaco músicas que possuem versões mais elaboradas no disco, as quais que tiveram aquelas mini orquestras e camadas de violões transpostas para uma banda de quatro pessoas quebrando tudo no palco, como em "All Through The Night" e "Break It Down".  Fora isso, adorei as homenagens à clássicos do Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin, Black Sabbath e o cover dos Dead Boys, "Sonic Reducer". Uma aula de composição e apresentação de um bom rock 'n roll, que me lembra nitidamente a atmosfera do "Alive!", do Kiss, um dos grandes discos da minha vida.    

Eu só tenho a agradecer. 

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Pink Floyd - Meddle (1971)

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Quando eu era mais novo, não conseguia compreender muito do quê havia de tão genial no som dos Pink Floyd, o que vejo como algo normal pra um moleque de 15 anos, roqueiro, pilhadão nos ACDC. Obviamente, o meu senso crítico sabia com clareza que aquelas músicas do Dark Side Of The Moon, dado pela minha amada tia, eram realmente boas. Mas aquilo era muito lerdo pra mim. Os amigos me zoavam por isso.  

O tempo foi passando e fui virando um Danilo mais simplista, blueseiro e atento à variedades sonoras, com o ouvido cada vez mais aguçado. Aos 20 anos eu já me sentia um admirador dos Pink Floyd, pois conhecia de cabo a rabo dois grandes discos: o "Wish You Were Here" e "Dark Side Of The Moon". Mas posso dizer que só agora em 2018 eu me tornei um admirador nato da coisa. E posso afirmar que é uma sensação realmente incrível.

O meu ano de 2018 foi de muitas viagens longas e solitárias, sejam de busão por aí ou de metrô, ou até de caronas apertadas de blabla car. Com isso, eu tinha o meu celular e fones de ouvido como leais companheiros pra fazer os meus ROLÊS pela cidade grande e interior do estado. Sem essa dupla eu não saía de casa. De bobeira eu baixava os discos do "Animals" e esse em destaque para tocar no modo repeat. E não é que essas porras dessas músicas pegam? E não é que elas fixaram no meu cérebro como algum tipo de mantra? Pois é. Sinto que posso mentalizar e ouvir os ecos de "Echoes" em qualquer ambiente do universo. E a emoção que me bateu na primeira audição, ao entrar o cântico de torcida dos Liverpool, "You'll Never Walk Alone". Sou fissurado em futebol mesmo e me emociono com essas coisas, foda-se.

Por sinal, o "Animals" também merecia espaço nesses destaques, mas o que aconteceu ouvindo o "Meddle" foi mais intenso e marcante. Tudo culpa daquele ao vivo incrível de Pompeia, que eu já havia visto varias vezes compenetrado em outras atividades do mundo contemporâneo, mas quando que quando eu pude assistir direito foi de derreter o cérebro. 

Obrigado, Pink Floyd! Vocês são foda mesmo. 

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Blind Horse - Patagonia (2017)

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Patagonia é o disco de estreia da banda carioca Blind Horse. Esses, formam um time e tanto de grandes músicos do rockão da cidade, ávidos pra fazer som, não importa o que estiver acontecendo, quem estiver, como ou onde for. Eu tive a felicidade de vê-los tocar inúmeras vezes pelo estado e a constatação é só uma: QUE BANDA SINISTRA. O negócio tem essa essência de viver o rock 'n roll de verdade que, devido à experiência dos rapazes, é completamente desconstruída dos estereótipos toscos da essência de molecagem. Ou seja, rock sem frescuras, "Morte ao rock star"! É uma banda de shows/estrada, que tocam de peito aberto onde for, no melhor estilo "In The Arms Of Road". 

Eu nunca parei pra debater as influências do som com eles mesmos, mas todos eles são enciclopédias do rock clássico. E o resultado tá nesse disco, com músicas músicas progressivas, com passagens inspiradíssimas, aberto à improvisos no melhor estilo anos setenta. "Patagonia" é uma canção incrível, de 15 minutos muito bem curtidos e que de cara abre o álbum. Um foda-se na cara da galera chata. A fodástica "Rock 'N Roll Me" me lembra os melhores porradões do UFO. Nessa daí eu tive a felicidade enorme de tocá-la com eles num show no RJ junto ao Fataar. Agora vou querer sempre levar ela. Muito divertida de tocar mesmo.  

É dos Blind Horse um dos shows mais fodas que eu vi e ouvi, que foi em 2018 mesmo, no Aldeia Rock Fest. Eles eram a banda que fecharia a noite, tocando no palco maior. Eles começaram o show umas três e pouca da manhã e acabaram só umas sete e meia, já com o sol batendo na cara. Foram mais ou menos umas três horas de show sem parar, e com qualidade de som incrível. Eu até os sacaneei dizendo que "o sol raiou, ainda subiu um pouco e vocês seguiam tocando". Foi assim que eu  os conheci. Nessa noite, deu pra acompanhar o show dos caras de varias formas: na plateia, ouvindo deitado na barraca, transando, dormindo, acordando ainda de madrugada pra conferir o show mais um pouco, com o sol raiando e, por fim, indo tomar café da manhã. Duvido que o Guns 'n Roses ou o Dream Theater fariam isso do jeito que os Blind fizeram. Depois disso, eternamente serei só elogios aos caras.  

Por fim, me arrisco a dizer, que os Blind Horse são uma das bandas de rock mais incríveis da América Latina.

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Dead Cross (2017) 

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Esse álbum, de tanto que eu curti, ilustrou parte do meu ano de 2017, quando este foi lançado, e de 2018. Pra quem não está ciente, o Dead Cross é uma banda/projeto paralelo constituída por dois dos meus maiores mestres em suas determinadas funções. O primeiro é o Dave Lombardo, dono das batidas de tambores mais ferozes que existem, na minha opinião. É um músico que nunca faltou inspiração em projeto algum na vida. Qualquer trabalho que ele está envolvido é certeiro que terão tambores do apocalipse. O outro, que entrou depois, é nada mais, nada menos que Mike Patton, outro herói que anda contra muita corrente, que podia ser dos mainstream e dominar o mundo da música pop, mas que está cagando pra tudo isso e segue fazendo o som que bem lhe entender. E te contar, o cara tem MUITO bom gosto. Todos os sons que ele deu o mínimo de pitaco, seja onde for, se resulta num material no mínimo muito interessante. Os outros membros, o guitarrista Mike Crain e do baixista Justin Pearson vêm do underground barulhento de bom gosto da Califórnia, das bandas The Locust, Head Wound City e Retox.

Um álbum extremamente visceral, intenso em todos os níveis: na exploração da calmaria até a destruição sonora absoluta. É barulho ensurdecedor, inquietante, perturbado, completamente tunado de cafés e energéticos (os quais até patrocinam Lombardo kkkk). Nesse material, Patton explora todos os poderes vocais. Com influências das mais diversas, de bandas pré punk como o Stooges, até os batidões do Slayer, os vocais estendidos a lá Deftones, berros grotescos à moda Sepultura, e inúmeras outras referências pra se situar. De um modo geral, esses artistas têm uma característica tão forte que conseguem transcender as influências mais concretas, sendo eles mesmos os donos das interpretações que lhes bem entenderem. Podemos dizer que há muita noção de cada um do que deve ser feito pra esse som com um material final sair genuíno, que há de ter a assinatura de cada um dos quatro membros ali tocando. É agrande essência das bandas boas.      

A atitude da banda também é ímpar perante todas as outras. Uma vez que grandes nomes do mundo artístico ficam com essa onda de "isentões", os Dead Cross metem muito o dedo em várias feridas na hipocrisia da sociedade, além do posicionamento político antifascista, como nos covers ao vivo de "Nazi Punks Fuck Off", dos Dead Kennedys. Um desses posicionamentos eu considerei ser um grande fist fuck na bunda dos moralistas, que é o videoclipe de "Obedience School", onde foi gravado numa rinha clandestina de briga de galo, possivelmente numa cidadezinha em algum canto do México, ou na própria divisa mesmo com os EUA, sei lá. Um clipe com viés de mini-documentário, particularmente considero esse um dos clipes mais fodas de todos os tempos. Esse clipe rendeu muita polêmica, sendo banido do youtube em questão de poucas horas, hoje só podendo ser visto em busca direta em outros sites. Na minha opinião, essa é a atitude que falta no meio do rock hoje em dia, que virou muito certinho, cercado de fãs toscos, quadrados, que acham que música e posicionamento não se misturam e outras atrocidades do tipo. Falta escárnio nos artistas de grande porte pra confrontarem isso com sabedoria e exporem as coisas na cara das pessoas sem medo da reação desses fãs chatos. 



PS. Todos os álbuns destacados estão liberados em todas as plataformas de som. Só procurarem como bem preferirem.













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