MINHA MÚSICA MINHA VIDA #2 - INDIC BLUE e Eu
Conheci o Indic Blue por volta de 2009 e 2010, através do meu amigo Mateus Pagalidis, num dia em que me encontrava na casa dele fazendo um som descontraído. No momento em que terminamos, ele colocou no som a banda próxima banda que ele estava agitando de tocar na casa dele, que ainda estava no início dos trabalhos que mudariam muito toda a postura do público da Região dos Lagos para com a diversidade cultural. Era o início de uma grande cena alternativa que estávamos criando, que foi encabeçada pelo saudoso Mateus, falecido tragicamente há um ano. Esse rapaz merece um texto mais que especial em sua homenagem, que assim que sentir sairá.
Durante a audição fiquei surpreso com a voz daquela mulher. Um canto doce e que transmitia sinceridade pra qualquer um que ouvisse sem ao menos saber 1% daquele trabalho. O querido Mateus, simplesmente concordou com a observação que fiz, do jeito tosco e sorridente de sempre. Saudades dele. Fiquei animado pra aparecer no dia do evento para conferir a banda. De qualquer maneira eu estaria no bar dele, a ouvir sons novos e encontrar com amigos semelhantes. Ver essa atração só deixava tudo mais interessante.
No dia do evento, me deparei com aquele pessoal diferente da galera, que ninguém conhecia direito, que logo nós deduzimos serem do pessoal da banda de fora - esse é um sentimento muito interessante, tipo quando cachorros desconhecidos se observam, se cheiram e no fim ficam amiguinhos, ou não. Eu amo o underground. Havia um gordinho simpático, uma moça pequena e branquinha, cuja eu imediatamente imaginei ser a vocalista, mesmo que não tinha cara nenhuma de ter aquela voz maravilhosa, um cara com pinta de surfista carregando pratos nas costas (o baterista, claro) e, por fim, um ser alto, gordo e com umas roupas diferenciadas que não me lembro direito, mas era como se fosse um alienígena. Só fiquei quieto com alguns amigos, bebendo cerveja e aguardando começar do lado de fora, com aquela pinta de que não estou tão interessado.
Aquilo que aconteceu na casa do Mateus foi um baita de um show. E enfim acabei descobrindo quem era a tal vocalista: era o figuraça gordo e alto, que tinha uma voz de divino contágio, uma encarnação de qualquer diva negra dos anos 50, uma mais pura da Nina Simone dos anos 2000, vivendo em Rio das Ostras. O nome dele é Marcos e estava acompanhado de pessoas competentes: o Zito e Paula, que eram munidos de idéias boníssimas de muito bom gosto. Foi uma banda nova, porém com um som grandioso, cheio de energia, mesmo que muito das músicas ainda estavam bem arcaicas pra época. É incrível observar nas audições como elas evoluíram positivamente. Era o início de uma febre local e que eu tive o prazer de acompanhar tudo de perto, pois eu noutra banda, chamada Helgrid e dividíamos constantemente os palcos de toda a Região dos Lagos.
Os eventos iam acontecendo e o Indic Blue continuava tocando e cada vez mais se tornando melhor, mais mágico. Além disso, se firmaram como uma banda de verdade ao colocarem mais membros fixos no projeto. Um deles foi o Dower, um excelentíssimo músico, morador da pacata cidade de Iguaba, que assumiu as baquetas com maestria, e o outro foi o Rafael, de Macaé, que assumiu a posição de ser o 5º elemento do conjunto, fazendo partes de sintetizadores, somando nas guitarras quando precisava, arriscando até backin vocals. Essa foi a formação "clássica" que nos presenteou com shows incríveis, além de ter gravado um dos melhores discos que eu já escutei. Posteriormente lançarei um texto sobre ele nos "10 grandes discos da minha vida".
Aqueles shows do Indic aqui na área chegaram num ponto em que conseguiu unir todo público do underground e seus segmentos em um único só. Nos shows era possível ver o público LGBT, os roqueiros novos, os velhos, os do hardcore "cara de puto", os emos, até chegar no nível em que era possível ver os baladeiros e baladeiras de Búzios saindo da cidade para acompanhar a banda em locais sucateados, coisa fora do comum pro padrão do pessoal de lá. Era incrível de ver.
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Que tarefa de responsabilidade foi essa. Substituir dois membros fundamentais pra magia acontecer: o cara do sintetizador, que também preenche tudo com nuances do melhor gosto e o cara da guitarra, do suingue sapeca e das ideias mais simples que fazem todo o sentido. Foi foda. Mas me empenhei como eu podia pra fazer aquela magia continuar bonita e ainda conseguir colocar minhas características também. Pessoalmente afirmo não ser o melhor Indic Blue que ouvi, por ser muito fã do trabalho sem mim, porém, acredito que consegui mostrar muito bem o meu valor como músico em ter que suprir um espaço grande que ficou vazio. Só digo uma coisa: tocar com eles é mágico. Tive o prazer de fazer apresentações maravilhosas com a banda desde 2012 até 2015, inclusive, também em parceria de violão/voz com o Marcos, na casa do Mateus, que já havia se tornado o Don Caballero, um baita pico do underground do estado do Rio de Janeiro. Tive a felicidade de viver histórias bem legais com isso tudo.
A banda nunca terminou oficialmente, somente fomos parando conforme continuávamos sempre tocando nos mesmos tipos de evento e não víamos progressos significativos em vários pontos. Estávamos simplesmente cada um fazendo a sua coisa, tocando a vida pra frente, atrás dos seus planos pessoais. Eu segui tocando com minhas outras bandas, com os Janx, Undaunted e Fataar; O Dower, seguiu fazendo som bom com quem chamasse, além de ter virado pai de família; A Paula antes da banda parar já tinha saído, mudando completamente de vida, após expor um documentário na Europa, onde está vivendo até hoje, dando lugar ao meu amigo/irmão Ian, que tocou magistralmente nos últimos shows do Indic, que hoje se encontra morando no Rio e fazendo os baixos dos Hooligans; E, por fim, o Marcos seguiu uma carreira solo mais voltada para música brasileira, fazendo participação até no programa The Voice, da Globo. Foi bem legal de vê-lo lá.
Somente nesse ano de 2018, os contatos foram retomados para arrumarmos uma possível volta, nem que fosse por um showzinho só. Eu particularmente não botei fé que aconteceria pelo menos um ensaio sequer e que ficaria tudo no velho papo furado, mas me enganei. Aconteceu. E foi nesse exato final de semana, no dia 25 de agosto de 2018, em Rio das Ostras. Essa encarnação da banda contou comigo na guitarra, Ian Queiroz no baixo, Dower Lopes na bateria, Rafael Rezende nas guitarras e sintetizadores e Marcos Matarazzo nas vozes. Uma das coisas bem maravilhosas foi ter visto todo o furor que teve nessa última semana para a expectativa do show. Uma casa pequenina, porém aconchegante, no melhor estilo Don Caballero, do saudoso Mateus, que foi lotada por pessoas bem diversas e afim de se divertir. Foi emoção a cada música tocada, que passou absurdamente rápido. Na minha opinião nós podíamos repetir todo o set que eu tocava tranquilamente.
O meu sonho nesse momento com o Indic Blue? Poder compor e gravar um material tão legal quanto os que foram feitos no passado. Essa é a missão que quero concluir, mesmo que eu esteja vivendo sem expectativas. Espero que num futuro próximo eu possa ler isso feliz com o resultado que tive, além de postar também o material por aqui. Finalizo esse texto com a imagem abaixo que foi tirada há dois dias atrás, no bom show que mencionei.
Somente nesse ano de 2018, os contatos foram retomados para arrumarmos uma possível volta, nem que fosse por um showzinho só. Eu particularmente não botei fé que aconteceria pelo menos um ensaio sequer e que ficaria tudo no velho papo furado, mas me enganei. Aconteceu. E foi nesse exato final de semana, no dia 25 de agosto de 2018, em Rio das Ostras. Essa encarnação da banda contou comigo na guitarra, Ian Queiroz no baixo, Dower Lopes na bateria, Rafael Rezende nas guitarras e sintetizadores e Marcos Matarazzo nas vozes. Uma das coisas bem maravilhosas foi ter visto todo o furor que teve nessa última semana para a expectativa do show. Uma casa pequenina, porém aconchegante, no melhor estilo Don Caballero, do saudoso Mateus, que foi lotada por pessoas bem diversas e afim de se divertir. Foi emoção a cada música tocada, que passou absurdamente rápido. Na minha opinião nós podíamos repetir todo o set que eu tocava tranquilamente.
O meu sonho nesse momento com o Indic Blue? Poder compor e gravar um material tão legal quanto os que foram feitos no passado. Essa é a missão que quero concluir, mesmo que eu esteja vivendo sem expectativas. Espero que num futuro próximo eu possa ler isso feliz com o resultado que tive, além de postar também o material por aqui. Finalizo esse texto com a imagem abaixo que foi tirada há dois dias atrás, no bom show que mencionei.
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| ÚLTIMA ENCARNAÇÃO: Dower, Ian, Marcos, Rafael e eu |



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